sábado, 17 de janeiro de 2009

O Novo Profissional - Generalista? Especialista?

“Somos congruentes apenas quando nossos pensamentos acompanham nossos passos, quando nossa alma coincide com nossos corpos, quando nossas emoções estão de acordo com nossa mente e nossa conduta. E tal congruência é em si transformadora!”

Roberto Crema



Um profissional competente é também congruente. Por isso é tão importante entender o novo significado da palavra competência, já ela permite compreender os novos requisitos que tornam um profissional perfeitamente integrado às atuais exigências da nova era.

O mercado de trabalho busca com enorme interesse profissionais que já despertaram para esse novo contexto e que por isso se destacam dos demais. Eles não são fruto de nenhum milagre! A chave do sucesso está do desempenho integral, que vem de um desenvolvimento global.

O importante é começar a perceber que ao lado de qualidades sempre exigidas está um novo rol de competências. Para você ter novos conhecimentos, a aprendizagem também é nova. Não dá mais para falar de um jeito e agir de outro. Discurso e ação andam juntos e precisam ser congruentes. Essa congruência também é aprendida a partir do desenvolvimento holístico, total.

O novo profissional é uma pessoa responsável pelo próprio desenvolvimento. Não espera que seu coordenador tome decisões por ele, mas propõe soluções e sempre que possível toma a iniciativa. Assim, é também responsável pelo crescimento de seu setor e de si mesmo.

Esse profissional, como estamos vendo, é extremamente ativo, por isso é questionador, isso é, não aceita passivamente nenhuma atitude imposta, mas expressa sua opiniões de formas clara, apresentando novas possibilidades para os negócios.

As decisões tomadas não podem mais levar em conta apenas um aspecto da empresa. Todos os setores estão interligados, e uma ação boa para um pode desencadear grave problema em outro. Por isso as ações devem ser sistêmicas, considerando-se todas as variáveis internas e externas pertinentes ao assunto.

Procure lembrar-se de dar o exemplo ao invés de seguir um. O novo profissional, aquele que quer ter destaque em sua área de atuação, deve ver-se como educador, como uma espécie de conselheiro e espelho no qual outros possam mirar-se. Não espere de outra pessoa aquilo que você próprio não puder fazer por si.

Você também precisa ter em mente que hoje em dia as relações com as equipes são menos duradouras, pois muitas empresas costumam trabalhar por projetos. Por isso é importante saber desenvolver boas relações em curto período de tempo. A palavra-chave aqui é saber comunicar-se e ser uma pessoa sociável. Procure agir como um elemento agregador, como um motivador das pessoas que estão a sua volta. Assim a integração fica mais fácil e o trabalho flui de modo natural e agradável para todos. Esse é o modo de conseguir resultados por intermédio das pessoas.

Tampouco pode haver preconceitos contra o fato de seu coordenador ser homem ou mulher, mais novo do que você e outros. Lembre-se: ele ou ela está aí como profissional, e assim deve ser tratado ou tratada! O respeito recíproco também é um modo de tornar o ambiente agradável e, mais que isso, é um princípio ético de muito valor.

Utilize suas férias para viajar ou fazer cursos proveitosos. Conhecer novas culturas abre novos horizontes e traz percepções até então desconhecidas. Cursos de língua ou informática também são uma boa escolha. Não fique as férias todas passivos! Descansar é bom, mas procure equilibrar o descanso com atividades que lhe dêem prazer.

Não é apenas na área da moda que temos modelos in e out. No mercado de trabalho também existe características que condizem com o momento e outras, ultrapassadas, que você deve guardar naquele velho baú da vovó!

Primeiro vamos ver tudo aquilo que cheira a naftalina, coisas que você deve aposentar se não quiser ser apresentado.

Não trabalhe apenas por obrigação, pois isso se reflete em suas ações, e seus colegas acabarão percebendo sua má vontade. Isso não quer dizer vestir a camisa da empresa, algo que também saiu de moda. Seja independente, tenha respeito pela empresa, mas não deixe de cultivar uma nova postura crítica.


Outra característica que está ficando no passado é esperar uma atitude paternalista da empresa, achar que ela estabelecerá seu plano de carreira, o promoverá na hora certa e que depois de conseguir o emprego você pode “fazer corpo mole” e esperar pela aposentadoria.

Esse tipo de profissional costuma cair no esquecimento, não ser lembrado na hora das grandes decisões e, o que é pior, fica defasado, core o risco de perder o emprego e não encontrar outro. Sacuda a poeira e comece a perceber que o mercado de trabalho está sempre mudando. Mantenha-se em dia comprando revista especializada, fazendo cursos de atualização e interessando-se por tudo o que diz respeito à empresa, tanto nos fatores internos quanto na conjuntura externa.
O profissional out também era aquele que só se preocupava em realizar o que outros mandavam, que tinha conhecimento apenas do que fazia. Aquele que era obediente, um simples técnico que executava idéias alheias. Não tenha essa atitude de “avestruz”, que fica de cabeça enterrada no chão! Criatividade e iniciativa são palavras de ordem atualmente.

Para que tipo de profissional os holofotes se voltarão? Quem é o grande modelo que vem sendo procurado e que com certeza fará sucesso?

Primeiro é aquele que aceita desafios e é empreendedor. Nada de ter medo de propor inovações na hora de resolver problemas da empresa. Essa é, na verdade, a real participação nos negócios, a interação que gera o prazer de trabalhar.

O novo profissional preocupa-se com seu marketing pessoal e o constante acompanhamento do mercado de trabalho. É a questão de fazer o próprio cartaz, planejando a carreira passo a passo, atualizando-se sempre e buscando qualidade de vida. Esta última é imprescindível e consiste em uma vida saudável, com relativo espaço para lazer e a cultura geral, além do equilíbrio entre mente e corpo. Tudo isso contribui para que o profissional tenha uma imagem positiva de si mesmo, passando a vivenciar esse conceito dentro da empresa em benefício próprio.
Outra questão que está na ordem do dia é se o profissional deve ser um especialista ou alguém mais generalista. Não podemos, em uma época de globalização, querer explicar um debate tão complexo de forma dicotômica. Na verdade o profissional de hoje deve possuir as características positivas de ambas as posições. Analisando a resposta de quatro importantes consultores no assunto, podemos chegar a algumas conclusões significativas.

É claro que o profissional deve ter uma área específica de atuação e conhecê-la em detalhes. Ser um especialista hoje é ter domínio de uma ou mais áreas de conhecimento, com a compreensão de leis gerais que fundamentam uma visão sistêmica. É essa visão polivalente que nos leva a interações com outros campos de conhecimento e nos mostra que áreas não são estanques, mas possuem inúmeras conexões, o que evita a perspectiva estreita e fragmentada da realidade.

O sucesso está em captar as relações entre diversos sistemas de conhecimento. Assim, o novo especialista é, de certo modo, também um generalista, já que entendendo as conexões entre as áreas pode usar todo esse conhecimento para decidir com eficiência entre soluções de problemas de mais de um campo.

O novo profissional é flexível e tem alto poder de abstração, ou seja, não fica preso apenas a detalhes técnicas de um problema, mas consegue entende-lo dentro de uma totalidade, de um sistema em que várias forças interagem ao mesmo tempo. Por exemplo, o advogado não pode ser um simples aplicador de leis, mas tem que conhecer o lado financeiro da empresa, os concorrentes que ela tem, como se relaciona com seus parceiros e clientes para apresentar a melhor solução de uma questão jurídica específica, munindo-se de argumentos mais completos porque tirados de uma visão globalizante.

Hoje o que define um vínculo empregatício não é mais um cargo, entendido como um conjunto de funções específicas. Quando você entra e uma empresa está estabelecendo uma ligação com todo o processo. Não é apenas uma que lhe dão, mas um espaço complexo, uma teia de relações que, por sua natureza, exige que você seja tanto um especialista quanto um generalista. É isso aí, nada de compartimentos separados, mas sim espaços em constante troca de informações! Por isso fique menos preocupado em manter o seu emprego e mais a sua empregabilidade.

A criatividade é outro fator de grande importância para o profissional moderno. Ela pode ser um ótimo cartão de visita e mostrar a que você veio. A criatividade é um fator diversificador que possibilita expor a sua individualidade, aquilo que o torna diferente dos outros. É o algo mais que causa impressão pela novidade, pela proposta inusitada, na qual ninguém havia pensado. Não é preciso ser um gênio para isso! Às vezes uma idéia simples pode ajudar a resolver um grande problema.

Para tanto, dê vazão a si mesmo, não se censure, deixe suas idéias virem a tona. Isso não quer dizer que precise dar crédito a tudo aquilo que vem a sua mente. Ë claro que só deve ser selecionado o que serve aos propósitos da empresa. Mas o fato de deixar sua mente livre para pensar é o que vai permitir que sua criatividade aflore. Depois, basta você saber usa-la com critério e bom senso. Esse algo mais fará com certeza muita diferença!

Outra questão com a qual o novo profissional deverá saber lidar é a administração de seu próprio tempo. Por que será que muitas pessoas vivem reclamando de que não têm tempo para nada? Por um lado, é claro que o ritmo da vida moderna é muito agitado e realmente todos desenvolvem inúmeras atividades ao mesmo tempo. Mas por outro lado, muita gente simplesmente não sabe organizar esse tempo.

Não existe receita pronta, pois cada um tem um ritmo biológico diferente e um modo distinto de se organizar. Mas há uma dica que creio ser de muita utilidade: todos devemos desenvolver a autodisciplina. Ou seja, de que adianta ter uma bela agenda eletrônica, um maravilhoso bloco de recados, um bip sempre pronto a lembrá-lo de seus compromissos se você simplesmente não obedece a horários nem a sua própria programação? Há um ditado popular que cabe bem nessa situação: “Não deixe para amanhã aquilo que pode fazer hoje”. É verdade, procure cumprir suas atividades nos horários estipulados. Isso não quer dizer para você não ser flexível, apenas procure ser exigente consigo mesmo evitando certo comodismo prejudicial tanto a sua saúde quanto a sua carreira.

Procure também perceber o que determina suas decisões, se um pensamento racional ou um sentimento. Aprenda a compreender o que está por trás de seus sentimentos para lidar melhor com as ansiedades e os medos. Aceitando seus estados de espírito e controlando-os você conseguirá levar seus compromissos até o final, evitando desgastes desnecessários.

Agora, de nada adianta compreender suas próprias emoções sem entender os sentimentos e as preocupações dos outros. Ponha-se no lugar de seu colega de trabalho, perceba como ele se sente e reage a fatos e comportamentos alheios. Além de ser uma grande escola, isso ajuda você a entrar em sintonia com os sinais daquilo que os outros precisam e querem. Aprendendo a se relacionar com as outras pessoas você reforça sua popularidade, liderança e eficiência, destacando-se e conquistando a simpatia de todos!

Esses são alguns componentes básicos que ajudam, segundo Goleman, a percepção e a melhoria da inteligência emocional. Qualquer pessoa que busque sucesso profissional, de hoje em diante deve ficar em sintonia com essa grande mudança comportamental que caracteriza a nova era da informação.

O que procurei mostrar até aqui é que o novo profissional precisa integrar tudo o que está a sua volta e em si mesmo para ser coerente e ter sucesso. Para ser coerente é preciso ter congruência. Segundo Johan Kluczny, uma pessoa se encontra em estado de congruência quando sua expressão comunicativa coincide com sua vivência e seu modo de pensar. A expressão corporal deve estar de acordo com o sentimento e o pensamento a ser transmitidos. Assim como a ação deve ser congruente com a expressão verbal (com o que foi dito). Desse modo, o comportamento congruente convence as pessoas, gerando a confiança mútua.

Vamos dar um exemplo prático de congruência. Eu digo: “Estou gostando muito do meu trabalho!” Falo com voz firme, com entonação correta e com o semblante cheio de satisfação (sorriso, olhar vivo). Agora o mesmo exemplo, só que revelando incongruência: digo a mesma frase em voz baixa, sem entonação convincente (monótona) e sem nenhum sinal de satisfação no semblante. A congruência revela que não há contradição, que a pessoa é clara, precisa e objetiva. Enfim, é uma atitude positiva e altamente profissional.

Será que aquele seu velho manual de conselhos práticos já não está ajudando muito? Você está se sentido meio fora de compasso? Então vamos lá acertar o foco e passar a ver esse novo profissional com as lentes perfeitamente ajustadas!

REFERÊNCIA:
D’ELIA, Maria Elizabete. Profissionalismo: não dá para não ter. Cap.2. São Paulo: Editora Gente.1997.
1 Robert Shinyashiki, Renato Berhoeft, Vicky Block, Marcos Bruno. “Generalistas x especialistas”, revista Instituto Pieron.
2 Inteligência Emocional.

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