...Inicialmente pode parecer exagero, talvez seja mesmo, não me importa a reação que esta surtirá.
A real intensão é incomodar, cutucar a ferida, fazer-me ouvir.
Infelizmente, essa mensagem de desabafo é também um pedido de ajuda - que não é meu, mas de todos em nossa cidade...
Ilmo. Srs. Representantes Legislativos do Município ,
É com muito pesar que escrevo esse requerimento à Câmara Municipal desse tão caro Município do qual faço questão de ser eleitora.
Para que entendam meu pesar vou contar com brevidade às razões que me levaram a tanto:
Resido no Jardim Everest, bairro próximo à Prefeitura, ao Cartório, quase em frente ao Fórum. Como se deve prever, num bairro como este circulam diariamente “homens da lei” - ao menos na teoria – em função das atividades que exercem. Digo isso para que traçar um paralelo aos bairros menos favorecidos da cidade, aqueles em que tive orgulho de trabalhar, mas onde nem ambulância consegue chegar, quem dirá autoridades legais.
Ocorre que desde o primeiro dia de janeiro, percebemos o aumento absurdo de roubos e furtos em nossa cidade. Considerando um perímetro de 300 metros, somente no período citado acima, foram 3 residências.Isso não é dado hipotético, aconteceu em nossa rua.
Com isso, não pretendo que medidas sejam tomadas em detrimento ao meu bairro, nem a minha rua. Não é esse o objetivo!Seria medíocre. A idéia é ilustrar a indignação de uma cidadã que paga seus impostos, que contribui com a cidade, que elege seus governantes e exige respeito.
Essa indignação chegou ao ápice nessa noite!
Acabo de retornar da Delegacia Policial Civil de Hortolândia. Precisei visitá-la para efetuar um Boletim de Ocorrência por tentativa de furto do meu veículo através de invasão de domicilio – ocorrido na ultima madrugada.
Ao chegar, haviam três cidadãos discutindo na recepção, dois Guardas Municipais na porta e um agente policial sentado atrás do balcão. Cumprimentei fazendo menção à pedir informação, mas simplesmente ele se levantou e foi até a saleta, onde estavam um agente feminino e outro masculino.Esperei alguns instantes em pé, até receber um telefonema de minha família, no qual aproveitei pra avisar onde estava e informar que pretendia uma informação. Ao desligar, aumentei o volume vocal a fim de fazer-me ouvir e perguntei se alguém poderia me dar uma informação. Pra minha surpresa, todos saíram da sala e como se eu os estivesse desrespeitando trataram de fazer valer o titulo (se é que podemos chamar assim!) que carregam pela profissão.
Eu não estava ali pra desacatar ninguém, inicialmente por que admiro os profissionais que se dedicam a função de assegurar a integridade alheia. Depois, por que trabalho com prestação de serviços e com educação e não agiria assim com qualquer que fosse o cidadão. O caso é que, após a desagradável cena, fui atendida e durante a conversa e com bastante tato foi possível “desarmá-los” e constatar com tristeza a verdade por detrás de tudo isso.
Num desabafo, o escrivão contou-me que a ausência da polícia se deve ao fato de hoje ser 22 homens atendendo a cidade toda. E que desses, 2 se aposentarão e outros tantos fazem corpo mole (como existe em toda profissão e que comprovamos durante a efetivação do BO em que o agente que deveria lhe render entrou bastante atrasado!), e que no ultimo concurso às vagas não foram preenchidas.
Não me dei ao trabalho de checar tais informações, uma vez que saí de lá e vim escrever o documento e talvez por que ainda me esforce para confiar em pessoas que trabalham em favor da lei.
Finalizando, ele ainda me disse que infelizmente, conforme prevíamos, ninguém faria nada, seria um número em função da situação e me deu o documento, sem assinatura do Delegado, que também não estava, pelos mesmos motivos.
Como resposta, disse-lhe que não esperava realmente que nada pratico fosse feito, uma vez que era uma ocorrência e que o veiculo já estava amassado pelo infrator.
Mas que meu desejo era cumprir meu papel de cidadã informando a ocorrência, criando estatísticas que os permitam cobrar políticas publicas de segurança, resguardar-me legalmente através do documento e mais que tudo isso entender o que estava ocorrendo na cidade.
Senhores, o que solicito, o que requeiro, não é muito, e creio que não seja um desejo egoísta.
Senhores requeiro informações (escritas) sobre o que há com a Segurança Publica em nosso município.
Requeiro informações sobre os treinamentos efetuados nessas equipes.
Requeiro uma ATITUDE dessa casa.
Meus senhores, nossa cidade merece atenção, merece segurança, merece respeito.
Manterei-me à disposição para esclarecimentos e no aguardo das informações solicitadas.
Sem mais,
Adriana Souza
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